Publicado por • 6:12 pm• Exposição

MAM lança edição comemorativa de reinauguração da sede do MAM São Paulo com obra inédita de Carmela Gross

Criada especialmente para a ocasião, “Brasil à mão livre” parte de um mapa do Brasil desenhado de memória pela artista e se desdobra em instalação de néon apresentada no restaurante do museu e como um múltiplo

O Museu de Arte Moderna de São Paulo lança uma edição comemorativa do Clube de Colecionadores para celebrar a reinauguração de sua sede no Parque Ibirapuera. Intitulado Brasil à mão livre, o trabalho parte de um desenho do mapa político do Brasil feito de memória e à mão livre pela artista, retomando uma pesquisa sobre mapas que acompanha sua produção desde a década de 1980. Concebida em dois formatos, a obra se apresenta como uma instalação em neon, exibida na parede do restaurante do MAM, e como um múltiplo produzido em tiragem de 70 unidades.

Em Brasil à mão livre, o mapa do Brasil surge como uma representação imprecisa e imaginada. Estados aparecem deformados, ausentes ou achatados, distanciando-se da geografia convencional. Segundo o curador-chefe do museu, Cauê Alves, a proposta evidencia como toda memória é também uma construção: “Ao reproduzir o território brasileiro sem recorrer à precisão cartográfica, Carmela Gross cria um mapa atravessado pela memória, pelo gesto e pela imaginação. O trabalho parte, assim, da ideia de que toda memória é também uma construção e propõe uma reflexão sobre as formas como um território é representado, percebido e lembrado.”

No múltiplo, o mapa é banhado a ouro e ganha uma nova camada de significado. O material aponta para a tragédia de se considerar o território apenas como fonte de recursos naturais. Carmela Gross propõe, assim, uma reflexão sobre as contradições de tratarmos o mundo não como um organismo vivo, mas como um grande depósito de mercadorias a serem esgotadas sem consequências.

Já a instalação em neon ocupa a parede de concreto aparente do restaurante do museu e é visível a partir do exterior da Marquise. O mesmo desenho do mapa desfigurado é apresentado em tubos de neon rosado e, sobre uma grade ortogonal, suas linhas curvas e distorcidas criam um contraste entre a representação convencional do território e o desenho livre feito pela artista. A instalação incorpora ainda a infraestrutura aparente, como cabos e transformadores, evidenciando seu caráter industrial e sua relação com o espaço urbano.

A obra integra uma pesquisa mais ampla de Carmela Gross sobre mapas, desenvolvida ao longo de décadas. Em sua produção, a artista desloca a cartografia de sua função tradicional de representar e organizar o espaço para explorar questões relacionadas ao território, à memória, à ocupação e às formas de poder inscritas nas paisagens e cidades.

Crédito foto: Divulgação.

(Visited 11 times, 1 visits today)
↑
Close