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Lollapalooza 2024: pessoas com deficiência comentam sobre acessibilidade no evento

Shows da 11ª edição do festival ocorreram entre os dias 22 e 24 de março no autódromo de Interlagos em São Paulo

O paratleta Edson Dantas e a influenciadora digital Amanda Valente fizeram sua estreia no Festival Lollapalooza, que teve a 11ª edição realizada nos dias 22, 23 e 24 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A primeira participação deles na maratona de shows poderia ser semelhante à de muitas pessoas que tiveram também a primeira oportunidade de conhecer o evento. A diferença é que os dois são pessoas com deficiência: ambos tiveram membros inferiores amputados e usam próteses nas pernas.

Amanda, que teve que retirar parte da perna esquerda após sofrer um acidente de trânsito em São Paulo, em abril de 2022, assistiu aos shows no sábado (23). Logo na chegada, ela percebeu que a acessibilidade era possível. “Eu confesso que estava apreensiva, pois nunca tinha ido a um festival desses, mas me surpreendi. Quando cheguei, as ruas do entorno já estavam fechadas, o que facilitava a locomoção. E, por ser PDC, tive prioridade na entrada”, explica. Ela também comentou o fato de haver um banheiro exclusivo para esse público e locomoção com a ajuda de vans para essas pessoas. “É um conjunto de fatores: não adiantaria ter um equipamento e o ambiente não estar estruturado”, destaca.

Dentro do espaço, Dantas, que teve parte da perna direita amputada em 1992 depois de um acidente de trem, também elogiou a estrutura e o atendimento que recebeu no festival. “O banheiro estava bem acessível e a equipe acertou também no staff. Toda hora alguém me perguntava se eu precisava de alguma coisa. Não é sempre que vemos essa atenção”, afirma. Ele participou dos shows no domingo, também pela primeira vez e pode ver a apresentação de um ídolo: Gilberto Gil. “Fui presenteado com o show dele. Pude ver o Gil cantando muito”, comenta.  

Equipamentos de acessibilidade

A influenciadora ainda relata a disponibilidade de scooters para que as pessoas com deficiência pudessem se locomover no espaço destinado aos shows. “Foi super fácil pegar a scooter. Só precisei preencher um termo e utilizar o equipamento. Mesmo eu, que uso prótese, preciso nessas situações de um equipamento. É essencial para que o pessoal consiga se locomover caso tenha problemas de mobilidade. Eu mesma não teria saído muito do lugar sem a scooter, pois o terreno é um gigante, com muitas subidas e descidas”, explica.

Dantas concorda com a influenciadora. “É um equipamento importantíssimo. Todos os eventos como esse precisam ter acessibilidade para as pessoas se locomoverem dessa forma. Eu mesmo, que uso prótese e posso caminhar, ainda assim sentiria cansaço se não tivesse algo para auxiliar a mobilidade. Mas é algo que todo evento grande como esse deveria ter”, afirma. 

Necessidade de inclusão

A presença de equipamentos para pessoas com mobilidade reduzida é cada vez vista como uma prioridade por empresas e organizadores de eventos. Isso porque uma parcela significativa da população possui alguma deficiência e precisa de inclusão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 8,9% da população brasileira se enquadra como PCD, ou seja, 18,6 milhões de habitantes.

Conforme explica o diretor de academy na América Latina da Ottobock, empresa que fabrica equipamentos para pessoas com mobilidade reduzida, acessibilidade deve ser um direito de todos. “O setor empresarial faz parte da mesma sociedade que as pessoas com deficiência. Por isso, precisamos também fornecer a tecnologia e os equipamentos necessários. Nossos estudos devem estar sempre avançados para isso, bem como nossas ações sociais para permitir esse conforto e dar oportunidades”, afirma. A empresa é uma das que forneceu equipamentos, como as scooters, para que pessoas com deficiência pudessem se locomover no Lollapalooza.

Na mesma linha de pensamento do diretor de academy, o paratleta aponta para a necessidade de mais eventos envolverem e darem chances para as pessoas com mobilidade reduzida frequentarem esses espaços. “Tem que trazer esse pessoal para os shows. Nós também temos o direito de se divertir. As pessoas precisam sair de casa, mostrar que estão vivas e que querem ser felizes como qualquer outra”, comenta. Amanda quer também por mais evolução nesse sentido. “Espero que isso aumente, para outras pessoas também terem essa oportunidade”, diz. 

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