Publicado por 8:16 pm Eventos

Jaime Lauriano – Panorama da Cidade de São Paulo

Projeto do artista criado especialmente para as escadarias do Beco do Pinto será aberto no dia 7 de outubro, das 14h às 17h. Coletivo Legítima Defesa realizará um cortejo performático que se iniciará às 15h no Pateo do Collegio em direção ao Beco do Pinto. 

O Museu da Cidade de São Paulo e o Departamento dos Museus Municipais da Secretaria Municipal da Cultura apresentam Panorama da Cidade de São Paulo, um projeto de Jaime Lauriano criado especialmente para as escadarias do Beco do Pinto. Por ocasião da abertura, que acontece no dia 7 de outubro, das 14h às 17h, o Coletivo Legítima Defesa realizará um cortejo performático que se iniciará às 15h no Pateo do Collegio em direção ao Beco do Pinto. 

Panorama da Cidade de São Paulo é um desdobramento de uma série recente em que o artista cria releituras de grandes pinturas históricas dos séculos XIX e XX, de caráter acadêmico e oficialesco, que representam e idealizam fatos da História do Brasil, buscando reprocessar estas imagens que narram a construção do conceito de história do Brasil. A pintura em questão é uma das obras mais importantes da iconografia paulistana do século XIX, encomendada por d. Pedro I, foi pintada pelo artista francês Arnaud Julien Pallière.

A poética de Jaime Lauriano revisita símbolos, imagens e mitos formadores do imaginário da sociedade brasileira, tensionando-os a partir de proposições críticas capazes de revelar como as estruturas coloniais do passado reverberam na necropolítica contemporânea. Desse modo, o artista reproduz a pintura e a altera com adesivos, desenhos e inscrições. Suas alterações buscam modificar o caráter fortemente idealizado da cena, removendo personagens e acrescentando outros elementos, muitos deles contemporâneos, de forma a destacar as implicações e as formas de violência que perpassam a história brasileira e que são vigentes ainda no presente. 

Crédito: Flávio Freire.

Para a apresentação do Beco do Pinto, o panorama alterado foi dividido e reproduzido em três painéis de grandes dimensões que serão dispostos nos três diferentes níveis da escadaria do Beco. Nos painéis, as imagens serão duplicadas/alteradas a partir de uma técnica de imagem em movimento. Assim, a paisagem reproduzida poderá ser visualizada em sua integridade somente a partir do deslocamento do espectador no espaço. 

Sobre Jaime Lauriano

Artista multimídia, Jaime Lauriano (1985) revisita os símbolos, imagens e mitos formadores do imaginário da sociedade brasileira por meio de vídeos, instalações, textos, pinturas e esculturas, tensionando marcadores sociais e narrativas históricas a partir de proposições críticas, seus trabalhos são capazes de revelar como as estruturas coloniais do passado reverberam na necropolítica contemporânea. Lauriano aborda as formas de violência cotidiana que perpassam a história brasileira desde sua invasão pelos portugueses, centrando-se, em indivíduos racializados. Nesse sentido, o artista se debruça sobre os traumas históricos de nossa cultura, compreendendo suas complexidades a partir do agenciamento de imagens e discursos provenientes das mais diversas fontes, sejam aquelas tidas como oficiais, como veículos de comunicação e propagandas de Estado; como as extra oficiais, como vídeos de linchamentos compartilhados pela internet. Sua crítica se estende da macropolítica das esferas do poder oficial à micropolítica. Lauriano pensa o trauma não só em sua dimensão temporal, mas também espacial, valendo-se de formas de mapeamento a fim de questionar as disputas e construções territoriais coloniais. Outra dimensão de seu trabalho é a conexão com religiões ancestrais de matriz africana. O artista emprega signos e símbolos desses rituais, como a pemba branca, utilizada na feitura de seus mapas, compreendendo como a esfera religiosa foi fundamental para a resistência dos escravizados, servindo como espaço de manutenção de suas relações com o território ancestral.

Jaime Lauriano vive e trabalha em São Paulo. Suas exposições individuais incluem: Aqui é o Fim do Mundo, no Museu de Arte do Rio (MAR) (2023), no Rio de Janeiro, Brasil;  Paraíso da miragem, em colaboração com silêncio coletivo, na Kubik Gallery (2022), em Porto, Portugal; Marcas, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) (2018), em Recife, Brasil; Brinquedo de furar moletom, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói) (2018), em Niterói, Brasil; Nessa terra, em se plantando, tudo dá, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ) (2015), no Rio de Janeiro, Brasil; e Impedimento, no Centro Cultural São Paulo (CCSP) (2014), em São Paulo, Brasil. Lauriano apresentou trabalhos na El Dorado: Myths of Gold, no Americas Society, Nova York, EUA (2023), no 37º Panorama da Arte Brasileira, São Paulo, Brasil (2022); e na 11a Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2018). Participação em exposições coletivas incluem: Histórias brasileiras, no Museu de Arte de São Paulo (MASP) (2022), em São Paulo, Brasil; Afro-Atlantic Histories, no National Gallery of Art (2022), em Washington DC, Estados Unidos e no Museum of Fine Arts (MFAH) (2022), em Houston, Estados Unidos; Quem não luta tá morto – arte democracia utopia, no Museu de Arte do Rio (MAR) (2018), no Rio de Janeiro, Brasil; Levantes, no SESC Pinheiros (2017), em São Paulo, Brasil; Territórios: Artistas afrodescendentes no acervo da Pinacoteca, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2015), em São Paulo, Brasil. Seus trabalhos podem ser encontrados em coleções institucionais, tais como: Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Recife, Brasil; Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; e Schoepflin Stiftung, Lörrach, Alemanha.

Sobre o Beco do Pinto

O Beco do Pinto integra o Museu da Cidade de São Paulo e o seu acervo arquitetônico. Situado no Centro Histórico, junto com os vizinhos Solar da Marquesa de Santos e Casa no 1 (Casa da Imagem), compõem um conjunto de preservação patrimonial. A antiga passagem teve o fluxo de pedestres interditado na década de 1970 e passou por estudos arqueológicos nos anos seguintes, sendo possível, na atualidade, serem observadas vitrines com vestígios dos calçamentos, montados como parte das obras de restauro. Em 2011, implantou-se o Programa Curatorial do Beco do Pinto para possibilitar a interligação dos dois edifícios com intervenções artísticas site specific, transformando-o em um dos raros locais destinados a obras públicas temporárias na capital.

Serviço:

Jaime Lauriano – Panorama da Cidade de São Paulo 

Abertura |  7 de outubro, 14h–17h

Cortejo performático com Coletivo Legítima Defesa | 15h*
*saída do Pateo do Collegio em direção ao Beco do Pinto

Beco do Pinto – Museu da Cidade de São Paulo

Roberto Simonsen, 136 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo–SP

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