Publicado por 5:59 pm LifeStyle

Arquitetos criam projeto de eletropostos com peças de montagem inspirado em Lego

As peças de encaixar do quase centenário brinquedo Lego, que há 90 anos dá vida aos mais inusitados objetos e estruturas criadas pela imaginação infantil, agora servem de modelo para a construção de uma das mais novas demandas urbanas do século: as estações para abastecimento de veículos híbridos e elétricos. Em Santa Catarina é assim que os eletropostos vêm sendo construídos.

A estrutura dos eletropostos do estilo Lego fazem parte da rede de abastecimento WeCharge. O processo imita a lógica do Lego: as peças vão encaixando até formar a estação de recarga, que pode ter diferentes tamanhos e formatos. 

As possibilidades de montagem são infinitas e permitem adequar a estrutura às necessidades e particularidades de cada espaço e cenário, sem perder seu design-padrão. É possível, por exemplo, instalar apenas o totem de recarga no piso, ou, então, acrescentar paredes de fechamento e também adicionar uma área de teto, com iluminação apropriada. Isso dispensa a elaboração de um novo projeto arquitetônico a cada novo local de implantação, agilizando o processo. 

“Optamos por este sistema modular justamente para facilitar a aplicação. O desenho já está pronto e pode ser ajustado em qualquer situação. Basta fazer a encomenda das peças necessárias e montar”, explica o arquiteto Giovani Bonetti, da Marchetti Bonetti Arquitetos Associados, que esteve à frente do projeto.

Todo o processo de montagem é manual e pode ser feito por qualquer pessoa, seguindo as orientações de passo a passo do guia do usuário. Ele também não gera resíduos nem entulhos de obra, o que evita desperdício de materiais de construção. Segundo Bonetti, a ideia era projetar uma edificação que fosse coerente com a proposta ecológica e sustentável dos veículos não poluentes, impactando minimamente o meio ambiente. Esse foi o ponto de partida para a criação do projeto, que também utiliza materiais de reuso e tintas com menos dióxido de titânio.

A escolha por este modelo construtivo dividido por peças também é o caminho mais fácil para acompanhar uma demanda em constante crescimento. Os eletropostos são uma tendência urbana cada vez mais necessária em razão do aumento da frota de carros híbridos e elétricos. Só no primeiro semestre deste ano foram vendidos mais veículos híbridos e elétricos do que em todo o ano passado no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). 

Em Santa Catarina, os eletropostos não existiam até 2019. Naquele ano, as primeiras estruturas começaram a aparecer em algumas cidades, como Florianópolis, para atender aos primeiros veículos que foram surgindo. A instalação de novos eletropostos só passou a se intensificar em 2021, quando a procura por carros elétricos disparou. Foi neste cenário que nasceu a WeCharge, com o propósito de tornar mais acessível a infraestrutura de recarga de carros elétricos no Estado. A WeCharge é um braço do Grupo Dimas, que, atualmente, é representante exclusivo da Volvo no Estado, marca pioneira na eletrificação e líder do ranking de carros elétricos no país.

A criação do projeto arquitetônico e os elementos o design thinking

Para entender o que a WeCharge tinha em mente e onde queria chegar com os eletropostos, o escritório Marchetti Bonetti utilizou a metodologia do design thinking durante todo o processo de criação do projeto arquitetônico. O design thinking é uma abordagem mais humanizada de propor soluções tangíveis e criativas para os problemas do cliente. 

O método se inspira no chamado “pensamento do designer” (tradução literal do termo), que costuma enxergar os fatos com uma visão mais inovadora e fora da caixa, dando prioridade à observação das necessidades, desejos e limitações dos consumidores em detrimento do pensamento analítico, das pesquisas teóricas, das suposições e das hipóteses.

Todo o trabalho do design thinking é conduzido de maneira coletiva e colaborativa. Assim, o escritório conectou todos os atores da cadeia de produção do projeto para fazer o levantamento de informações: os responsáveis da WeCharge e o time interno de arquitetos, tanto da área criativa quanto de desenvolvimento de projeto. 

Por meio de oficinas dinâmicas e periódicas, o grupo conseguiu criar um ambiente extremamente favorável ao diagnóstico das necessidades do cliente e ao desenvolvimento criativo do projeto. “Pudemos entender, como grupo, o que eles esperavam em relação à questão estética, ao processo de montagem, às referências que tinham em mente e o volume de estruturas ao longo do tempo”, explica Bonetti.

Foi com base na narrativa construída nas oficinas que a ideia de se criar uma estrutura baseada em peças de montagem ganhou vida. A inspiração veio do modelo arquitetônico dinamarquês, onde os eletropostos já estão mais presentes no contexto urbano e também onde o compromisso com a saúde do planeta é mais evoluída. 
Crédito: Divulgação WeCharge.

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